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Artigo de Opinião #6 - Auto-estima e alimentação: relacionados?


Será que o nosso humor influencia o que comemos?
Tenho a certeza que sim! Existe a quem este mal não atinja, mas são a excepção que confirma a regra.
Mais um textinho meu que foi publicado na Revista Açores. Revêm-se no que escrevi?

"Auto-estima e alimentação: relacionados?

Se estamos maldispostos ou ansiosos, comemos porque sim! Nem existe justificação para os alimentos escolhidos, é o que pensamos erradamente. Se estamos calmos e de bem com a vida, conseguimos fazer escolhas alimentares mais pensadas. Não nos empanturramos em comida “oca”, em fast food…
Ao contrário do que se pensa, sou nutricionista e não é por inspirar profundamente três vezes seguidas que jantei (leiam esta frase com ironia, por favor!). Adoro comer e como fast food que tanto faz mal. Tenho dias bons, dias ótimos, dias péssimos e dias em que acho que valho pouco e que mais valia comer um montão de doces e chocolates e batatas fritas com molho agridoce. Mas estes alimentos apenas vão ajudar a sentir-me ainda pior.
Quero, com esta partilha, transmitir a noção de que o nosso humor afeta profundamente as escolhas alimentares e vice-versa. Estamos tristes, desejamos alimentos que nos dêm sensação de prazer imediata. Entramos no famoso círculo vicioso de que tanto se fala, nos últimos tempos. Estou triste, como alimentos ricos em gordura e açúcar porque são saborosos até mais não, estes são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, terminamos de mau humor e com mais peso, sentimo-nos tristes e lá voltamos à posição inicial. Escolhemos alimentos ricos em gordura e açúcar, que são, tradicionalmente, pobres em fibra, vitaminas e minerais. Estas escolhas feitas com frequência elevada, originam carência de nutrientes precursores de neurotransmissores como a serotonina e dopamina, as chamadas “moléculas de bem-estar”. Quanto maior os níveis de serotonina, dopamina e noradopamina, melhor estará o nosso humor e alimentos como frutos secos, chocolate negros, fruta, peixe gordo, cereais integrais, vegetais de folhas verdes, entre outros, está parte da solução. Nestes alimentos, encontra-se o ómega-3, magnésio, triptofano, vitaminas A, C e do complexo B que o nosso corpo vai utilizar para produzir as moléculas de bem-estar e fazer-nos sentir bem. Comer uma cavala assada com couve salteada ou terminar a refeição com laranja e nozes com canela são fórmulas diferentes para “pílulas de bom humor”. Reduzir o consumo de alimentos processados e refrescar a alma com uma caminhada de 30 minutos são outras formas de luta contra a tristeza.
Não se sinta mal e pense que está triste apenas porque não come de forma equilibrada. Mas, se fizer uma alimentação equilibrada, rica nos alimentos acima mencionados, o mais certo é sentir-se mais bem-disposto, mais calmo e com mais facilidade em dormir profundamente. Sentindo-se mais bem-disposto, ser-lhe-á mais fácil fazer escolhas alimentares saudáveis e mais simples será perceber que a alimentação desequilibrada lhe trará apenas desconforto posteriormente. Pode sempre argumentar que sabe muito bem, é um facto. Mas vale a pena o desconforto que traz depois?
Despeço-me com uma receita que tem potencial para o deixar de bom humor!

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